1 de fevereiro de 2015

Conhecendo a trajetória de Prince Of Persia

Como tudo começou

O primeiro Prince Of Persia foi lançado no longínquo ano de 1989, e foi criado inteiramente por Jordan Mechner.


Menu inicial do primeiro Prince of Persia, lançado para os computadores da época




Naquela época, o jogo deu um salto gigantesco de qualidade quando comparado aos jogos que eram lançados até então. Não por seus gráficos, mas sim por sua proposta e também pela complexidade e dificuldade que iam aumentando gradativamente enquanto você ia avançando pelas fases.
Sua jogabilidade também era única, foi um dos primeiros (senão o primeiro) a utilizar movimentos reais como base para a criação de toda a movimentação , fazendo com que ele não fosse apenas mais um daqueles  jogos em que os personagens tinham três ou quatro sprites diferentes que ficavam alternando entre si para dar uma impressão de movimento.

A movimentação dos personagens do jogo eram realmente um avanço gigantesco para a época

Prince Of Persia foi lançado em uma época em que o que atraía os jogadores eram os jogos de plataforma que baseavam-se unicamente em atravessar o cenário da esquerda para a direita, pular em cima de inimigos e chegar ao fim da fase, ou então, ao invés disso, colocar uma pistola ou algum tipo de arma na mão do personagem para que se tornasse um jogo de tiro. Talvez esse tenha sido um dos principais fatores do sucesso de Prince Of Persia, pois ele inovou completamente, uma vez que haviam pouquíssimos jogos que envolviam combates com espada, e nenhum (que eu conheça pelo menos) que exigia uma exploração tão extensa e livre do cenário e uma baita dose de raciocínio, combinados com o fator "correr desesperadamente antes que a porta se feche" por caminhos repletos de armadilhas (altos traumas pra quem já jogou).

Um pequeno rascunho de Mechner sobre a mecânica do jogo

O jogo tem uma história que, para os padrões da época, poderia até ser considerada bem desenvolvida. Enquanto o grande Sultão (que é tipo um imperador) da Pérsia lutava em uma guerra fora do país, o seu Vizir (ministro, ou basicamente, o braço direito do Sultão) viu uma grande oportunidade de se apoderar da Pérsia, e para isso, tudo que ele precisava fazer era se casar com a filha do Sultão e disposto a isso, ele sequestra a princesa e a ameaça de morte caso ela se recuse a casar-se com ele. Enquanto isso, o homem que estava destinado a casar-se com ela, é jogado em uma masmorra, e é assim que o jogo começa, com o Príncipe (que ainda não é príncipe) tendo de escapar da masmorra para salvá-la, tendo apenas 1 hora para fazer isso, o que acaba dificultando ainda mais o jogo e aumentando o clima de desespero de quem está jogando, ainda mais quando você olha para o tempo e percebe que só faltam mais 10 minutos.

A cobiçada filha do Sultão e futura princesa da Persia

Esse jogo foi lançado para os computadores da época e mais tarde ganhou uma remasterização, sendo lançada para vários consoles como Super Nintendo e Mega Drive. Essa nova versão não apenas ganhou gráficos melhorados como também dobrou o número de horas para terminar o jogo além de incluir um sistema de password entre as fases. Mas não pense que isso tornou o jogo mais fácil, porque não tornou. O número de fases foi aumentado e as que vieram do jogo antigo também sofreram várias mudanças, e isso você já pode perceber logo na primeira fase, ao ir pegar a espada. Quem jogou o jogo original vai perceber uma grande mudança. E não é só isso, o jogo está tão sacana quanto o original, com armadilhas tão FDPs que te matam de raiva, principalmente depois que você já avançou mais da metade da fase e é obrigado a retornar ao começo dela.

Versão original e versão remasterizada respectivamente
e aí, teve ou não teve uma melhora considerável?


O auge da franquia

Seria injusto dizer que a franquia teve seu auge em apenas um jogo, o que vou citar aqui é uma trilogia, a trilogia que fez com que a série ressurgisse das cinzas, do esquecimento, onde estava abandonada há muito tempo. 

O título que deu início a uma das principais trilogias dos games dos últimos tempos

Aqui a franquia havia sido adquirida pela Ubisoft, que a revivera em grande estilo. 
A trilogia das areias, iniciada em The Sands Of Time de 2003 foi um marco, trouxe de volta aquele bom e velho jogo que todo mundo que jogou, adorou, e agora em 3D, com uma nova jogabilidade e entrando no mundo dos jogos modernos. The Sands Of Time trouxe vários elementos que eram inéditos até então, tendo como principal, o poder de controlar o tempo, retrocedendo, acelerando, parando, prevendo acontecimentos, enfim, além de ter vários desafios que remetiam muito aos jogos antigos como correr, pular, passar por armadilhas, e principalmente, correr desesperadamente antes que a porta se feche depois de acionar um interruptor. Tudo como um legítimo praticamente de parkour, agora ainda contando com a habilidade de correr pelas paredes. 


O jogo foi muito bem recebido, ganhou vários prêmios naquele ano. Ele tem uma média de 92 pontos no Metacritic e aparece em qualquer lista de melhores jogos da 6ª geração de consoles. Ah, e vale lembrar que este foi o último jogo em que Jordan Mechner esteve envolvido na produção.

Warrior Within e todo o seu clima sombrio

O segundo jogo da trilogia, Warrior Within, lançado logo no ano seguinte, sofreu mudanças drásticas. Ele deixou pra trás todos os visuais coloridos e vivos do seu antecessor e ficou com um clima pesado, sombrio, com violência extrema e direito a heavy metal tocando como trilha sonora \,,/, além de contar com um clima de solidão muito maior que o primeiro. Tudo isso fez com que o jogo perdesse a classificação etária "T for Teen" (para jovens) e recebesse um "M for Mature" (para adultos).
Esse jogo conta com dois finais diferentes. Um verdadeiro e um falso.


Pessoalmente, este foi o que eu mais gostei, talvez por ter sido o primeiro que joguei, mas para muitas pessoas, ele foi uma péssima continuação, justamente por todas as mudanças que eu citei, mas nem isso foi suficiente para abalá-lo, pois apesar de tudo, Warrior Whithin conta com 83 pontos no Metacritic.




E para finalizar a trilogia, tivemos em 2005, The Two Thrones, que é uma continuação direta do final verdadeiro de Warrior Whitin. Desta vez a Ubisoft tentou trazer um pouco de cada um dos jogos anteriores, fazendo um meio termo, para que reconquistasse os fãs de The Sands Of Time sem decepcionar quem preferiu Warrior Whitin. E ele conseguiu fazer isso, teve uma ótima aceitação conquistando uma média de 85 pontos no metacritic.
Este jogo também apresentou algumas novidades, como um pouco de stealth (nada de maus, mas ainda assim digno de menção), trechos em cima de carruagem, e algumas partes com quick-time events, além de ainda contar a dupla personalidade do príncipe, e em algumas partes controlar seu alter-ego.

Como anda atualmente

Hoje em dia a Ubisoft parece ter abandonado a franquia para se dedicar inteiramente ao seu sucessor espiritual Assassins Creed, já que desde 2010 anos que não temos mais novidades e nem jogos novos.

 

Mas deixemos isso de lado e vamos falar sobre os jogos. Em 2008 tivemos o lançamento de Prince of Persia, sem mais nem menos adicionado ao nome. Esse jogo tinha uma enorme responsabilidade: continuar o legado de sucesso de seus irmãos mais velhos e ainda inovar, com todas as possibilidades que eram oferecidas  por todo o poder da até então, nova geração de consoles. Podemos dizer que ele não fez feio, mas também ficou abaixo de todas as expectativas, pecando principalmente na questão da dificuldade, já que o jogo era era bastante fácil, principalmente nos combates e você NUNCA morria. Mas um de seus principais pontos positivos eram seus gráficos, nesse quesito, ele fez bonito, e por muito tempo foi referência de bons gráficos.

 

O último jogo da franquia, Forgotten Sands já foi lançado há cinco anos. Ele tentou resgatar o espirito de The Sands Of Time, sendo um jogo que se passa no meio da história original, nos sete anos que separam The Sands Of Time de Warrior Within. Eu pessoalmente gostei dele, mas temos que admitir que, mesmo para aquela época, ele já era um jogo razoavelmente ultrapassado, com mecânicas muito simples, principalmente para quem já havia jogado Assassins Creed, que a propósito, é da mesma produtora. As comparações são inevitáveis, e isso pode ter sido justamente o que fez com que o jogo não alcançasse um grande sucesso, ele tentou resgatar completamente o que foi a trilogia das areias, mesmo já tendo recursos muito superiores à disposição, sem contar que o jogo é bastante fácil e curto. Ele não altera em nada a história antiga, é basicamente um spin off mas nem por isso o jogo é ruim, muito pelo contrário, como eu falei, eu gostei dele, me diverti bastante, principalmente com alguns novos poderes que são bem interessantes. 



Bom, talvez eu esteja deixando falar mais alto a opinião de um grande fã da franquia ao invés de uma visão mais imparcial, mas ainda assim, Forgotten Sands merece ser jogado, mesmo que seja só pra dar um pouco mais do gostinho de Sands Of Time.

E só pra finalizar:
  • No comecinho de 2011, a Ubisoft relançou a trilogia das areias para os consoles da atual geração, em um único pacote intitulado Prince Of Persia Classic Trilogy HD, vale a pena dar uma olhada caso você nunca tenha jogado essa saga.
  • Em 2010, a Disney lançou um filme baseado na saga das areias chamado chamado Prince Of Persia The Sands Of Time. (Dããã)
  • Muitas pessoas se referem ao Príncipe como Árabe, mas a verdade é que os Persas são um povo da Babilônia, que fica ao leste da Mesopotâmia, que hoje é conhecido como Irã.
  • Quem quiser matar as saudades não só do primeiro Prince Of Persia, mas também de vários outros jogos da época do MS-DOS, pode entrar nesse site aqui, ele conta com um acervo de cerca de 2400 jogos de MS-DOS que podem ser jogados diretamente do navegador, não precisa baixar nada, é nostalgia pura.
Como deu pra perceber, eu não contei nada sobre a história da saga das areias, pois pretendo fazer uma matéria especialmente falando sobre ela.

Bom, então é isso aí pessoal, até a próxima.